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Como um setor de compras mal organizado aumenta o custo da obra?

Um setor de compras mal organizado aumenta o custo da obra por meio de falhas encadeadas que começam na cotação e se acumulam até o canteiro. Compras emergenciais, escolha de fornecedores apenas pelo preço e ausência de controle documental transformam margens planejadas em prejuízos reais. Cada decisão tomada sem critério técnico abre espaço para um gargalo que a obra vai pagar mais caro do que o previsto.

O processo de aquisição na construção civil envolve variáveis que vão além do preço unitário dos insumos. A homologação de fornecedores, o controle de estoque e a verificação de conformidade regulatória de cada material adquirido formam um conjunto que, quando ignorado, tende a gerar diversos custos extras. 

Na prática, o impacto de uma gestão de suprimentos fragmentada costuma ser invisível até que o cronograma trave. Falta de insumos na frente de serviço, retrabalho por material fora de especificação e autuações por documentação irregular são desdobramentos do mesmo problema que é a decisão de compra sem processo estruturado.

Neste artigo, você vai encontrar os principais pontos em que o planejamento de suprimentos deixa dinheiro na mesa, da ruptura de estoque às exigências do Documento de Origem Florestal (DOF) para madeira nativa. Acompanhe:

Identifique os gargalos que travam o canteiro

A falta de planejamento de suprimentos produz um efeito direto no ritmo da obra. Quando o insumo não está disponível no momento certo, a frente de serviço para, a equipe espera, o prazo contratual avança e o custo de improdutividade recai sobre a margem do empreendimento.

Compras emergenciais têm preço de urgência. O fornecedor com pronta-entrega não negocia condição de pagamento, não concede prazo e frequentemente aplica sobretaxa de frete. Atrasos logísticos e rupturas de estoque estão entre os principais fatores de perda de prazo em obras de médio e grande porte.

Evite a armadilha do menor preço nas compras da construção civil

Escolher um fornecedor apenas pelo menor preço cotado pode expor a operação a riscos que não aparecem na primeira nota fiscal. Material fora de especificação gera retrabalho. Prazo de entrega não cumprido gera pausa de serviço. Fornecedor sem regularidade documental gera problema regulatório para a construtora recebedora.

Um fornecedor de madeira nativa, por exemplo, precisa emitir o Documento de Origem Florestal (DOF) junto com a carga. Sem esse documento, a construtora que recebe a madeira também responde pela irregularidade perante o IBAMA. Esse é o tipo de custo que a homologação de fornecedores evita antes que a carga chegue ao canteiro.

Descubra os custos ocultos que o orçamento não captura

Há uma categoria de custo que raramente entra no orçamento da obra e que, quando aparece, já provocou dano operacional. Multas por não conformidade, reposição de material rejeitado e, em casos de madeira nativa, autuação do IBAMA por ausência de DOF ou por Cadastro Técnico Federal (CTF) irregular são exemplos desse passivo invisível que o cadastramento correto no CTF do IBAMA evita.

O CTF é o cadastramento obrigatório junto ao IBAMA para toda construtora que utiliza produtos ou subprodutos florestais nativos. Sem CTF ativo, qualquer recebimento de madeira nativa é formalmente irregular, independentemente do volume ou da frequência das compras.

Veja as consequências de multas e embargos no cronograma

Uma obra embargada por irregularidades ambientais interrompe toda a cadeia de produção do canteiro. A multa administrativa prevista na Lei nº 9.605/1998 pode chegar a R$ 50 milhões, dependendo da infração. Paralelamente, o embargo bloqueia novas liberações de parcelas de financiamento da Caixa Econômica Federal.

A responsabilidade pela ausência de DOF no transporte ou recebimento de madeira nativa alcança diretores e sócios na forma de responsabilização criminal pela mesma lei. Esse é o custo que nenhum orçamento revisado consegue absorver depois que a autuação é lavrada.

Manter o custo da obra dentro do planejado depende de decisões que começam antes da primeira cotação. O setor de compras bem estruturado na construção civil, com homologação criteriosa de fornecedores e verificação da conformidade documental de cada aquisição de madeira nativa, é o que protege o cronograma e as margens da construtora.

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