A compra de insumos irregulares representa custos silenciosos em projetos da construção civil. Além dos casos em que os itens não atendem aos requisitos técnicos e das falsificações, existem outros fatores que podem tornar uma mercadoria irregular, como a falta de documentação adequada.
Na prática, insumos irregulares costumam ser frequentes no segmento pelo desconhecimento do Documento de Origem Florestal (DOF). Trata-se de uma licença obrigatória para o transporte e armazenamento de madeira nativa e sua ausência faz com que o produto seja classificado como ilegal, ainda que de origem lícita.
Para evitar que este tipo de problema aconteça em sua obra, separamos nos tópicos abaixo 5 dicas que ajudam no gerenciamento adequado da compra e na apresentação da documentação necessária. Acompanhe!
1. Prefira fornecedores com certificação
Um erro comum na gestão de compras é olhar apenas o preço. Isso pode fazer com que os custos silenciosos apareçam ao longo do projeto e comprometam o orçamento. Pesquise o histórico das empresas, visite suas instalações se possível e priorize opções que tenham certificações de qualidade, como ISO 9001 e selos ABNT/PBQP-H).
No caso da compra de madeira nativa, o fornecedor precisa manter o cadastro do CTF ativo no IBAMA. Antes de decidir, consulte o portal de consulta ao Cadastro Técnico Federal e verifique a situação do registro. Lembre-se que uma companhia com CTF suspenso não emite DOF válido e a irregularidade recai sobre quem recebe o produto.
2. Inspecione cuidadosamente o recebimento
Os insumos irregulares não podem ser identificados apenas no canteiro de obras. Esse tipo de falha traz retrabalhos e atrasos que podem ser evitados com inspeções cuidadosas no recebimento.
A equipe do almoxarifado deve saber reconhecer os pontos que tornam as mercadorias irregulares e ter autonomia para recusá-las quando necessário. Em relação ao momento da compra, é válido exigir algumas comprovações antes de fechar o pedido.
Diante dos problemas gerados pela falta de DOF, é fundamental verificar sua emissão com antecedência e confirmar se pertence ao lote enviado. Quando necessário, também pode ser solicitada a AUTEX (Autorização Florestal de Exploração). Essa documentação comprova que o produto tem origem rastreável e que o transporte está coberto.
3. Padronize contratos para evitar a compra de insumos irregulares
Os contratos funcionam como uma proteção técnica e jurídica contra a compra de insumos irregulares. Por isso, é preciso padronizar-los como uma ferramenta de qualidade com pontos claros sobre a função do fornecedor e especificar prioridades, responsabilidades e possíveis penalidades.
Isso inclui uma boa cláusula de substituição caso o material seja reprovado em testes de obra. Quando um problema desse tipo acontece, o contrato deve estabelecer a troca imediata dos ítens com custos logísticos cobertos pelo fornecedor dentro de um prazo que respeite o cronograma da construtora.
4. Controle o estoque de madeira nativa no canteiro
O controle de estoque de madeira nativa no canteiro de obras também é uma parte importante das estratégias focadas em evitar insumos irregulares. Durante o seu recebimento, a equipe precisa conferir se o volume declarado no DOF corresponde e registrar a movimentação.
Vale destacar que pátios de armazenamento de madeira nativa exigem homologação junto aos órgãos competentes. Conforme a Instrução Normativa IBAMA nº 112, todo local de depósito caracteriza um pátio. Veja mais sobre esse e outros procedimentos de conformidade no blog da Viva Verde Consultoria.
5. Defina um fluxo de destinação para os resíduos
Sobras e resíduos de madeira nativa gerados no canteiro exigem um plano de destinação adequado. Afinal, o descarte sem controle deste tipo de material configura como infração ambiental, especialmente em caso de espécies nativas. Quem gera o resíduo, por lei, também fica responsável por seu descarte.
Queima irregular de entulhos ou movimentações para terrenos baldios, rios e encostas geram multas altíssimas e uma série de outras penalidades. O que torna indispensável estabelecer fluxos eficientes de descartes e manter todos os registros junto aos documentos necessários para a gestão ambiental.
Evitar a compra de insumos irregulares exige esforços que começam na etapa de pesquisas sobre fornecedores. Dessa forma, priorize parceiros que possam ajudá-lo com gestão ambiental e cumpram todas as exigências legislativas de maneira prática. O que agiliza a emissão de documentos e protege a obra contra custos extras, paralisações e desgastes de sua imagem no mercado.
Gostou das informações do artigo? Então aproveite e leia também sobre quais tipos de madeira exigem a emissão do DOF e quando existe dispensa para não correr riscos.





